Para o parlamentar, a discussão da proposta deve ser feita pelos deputados de todas as bancadas juntos. “Por isso que este projeto terá que tramitar no tempo certo para poder ser avaliado”, afirmou.
“Entendo que este projeto é um ponto de partida para um debate importante, pois desde há dez dias o governo decidiu formalmente encerrar as negociações pedindo que retornassem às salas de aula os professores e demais servidores. Aceitei o desafio por meio da liderança do governo juntamente com a bancada de apoio ao governo buscar e encontrar um diálogo e uma solução. Fizemos diversas reuniões, com com o fórum das entidades sindicais, com a CUT, representando a APP, com os outros sindicatos.
Fizemos reuniões com os diretores da APP com conversas e diálogos. Esta proposta que chegou a Assembleia Legislativa é fruto de duas propostas que a bancada de apoio ao governo encaminhou ao poder executivo para poder enviar uma proposta da data base que pudesse resolver este empasse que estamos vivendo aqui no estado do Paraná. Eram duas as propostas: a primeira, reconhecendo as dificuldades financeiras de 2015, eram os 8.17% para pagar 2% em julho, 2% em setembro e depois 2% em fevereiro de 2016 e depois em abril. Isto com base na disponibilidade financeira do Estado.
A outra proposta é a antecipação da data base, pois quem é do movimento sindical sabe muito bem que antecipar a data base é um instrumento de muitas negociações que existem em diversas categorias. O sindicato dos metalúrgicos aqui de Curitiba, por exemplo, que é o mais articulado sindicato do Paraná e do Brasil, faz a antecipação. A proposta da antecipação, se ela de fato estivesse aperfeiçoada, qual é o problema desta proposta? O problema é que a data base é no primeiro de maio, o IPCA que foi apurado em 3.45%, é o IPCA de maio a dezembro de 2014. Justamente pela inflação do Brasil acelerou de janeiro a abril.
A questão concreta que estamos travando aqui é que se o governo desse 3.45% a partir de maio e já antecipasse a base em janeiro, o reajuste seria de 8.5%, previsão do IBGE. 8.5% sobre 8.5% sobre 3.45%. A única questão concreta que nós temos nesta proposta que diverge, inclusive, daquilo que enviamos ao poder executivo, mas com base na questão orçamentária financeira, é a questão das datas de implantação das bases dos 3.45% de 2015. Por outro lado, nós sabemos que temos que sair deste empasse. Temos o problema das faltas que são lançadas e apontadas e a base de apoio ao governo aqui defende que se faça, não a aplicação das faltas, mas a reposição do diálogo que tem que ter com a APP Sindicato.
Nós só vamos conseguir sair deste empasse se os líderes da oposição junto ao exercício que faço da liderança do governo e demais líderes de cada uma das bancadas independente de qual posição, trabalharmos em uma solução que possa de fato fazer com que volte a normalidade administrativa. Esta proposta pode ser muito crucificada, mas nós sabemos que, por ela, quando olharmos janeiro de 2012, somando os percentuais, servidor público do Paraná vai ter um salário 12% maior.
Vocês podem não gostar do que eu falo, mas estou muito grato por estar sendo ouvido. O fato é que esta questão não se trata de um embate entre a situação e a oposição. O contrário, trata de termos muita responsabilidade naquilo que estamos fazendo, até porque as pessoas no Paraná inteiro esperam atitudes deste parlamento. E eu entendo que temos que ter a competência política de negociar e conversar com o fórum das entidades, com a APP sindicato, conversar aqui com as lideranças das diversas bancadas e chegar a um projeto, uma proposta que seja possível do ponto de vista financeiro e que efetivamente garanta que não haja perda para o servidor público. É possível se nós tivermos competência, tolerância, capacidade de diálogo de construção e solução.
No enfrentamento, no quanto pior, melhor, nós não conseguiremos nada, ao contrário. A Assembleia, mais uma vez, enviará um sinal negativo para a sociedade paranaense, que espera desta casa de leis, soluções. Por isso que este projeto terá que tramitar no tempo certo para poder ser avaliado. Já chegaram aqui as propostas dos outros poderes e teremos que discutir tudo isso juntos.
Quero dizer a todos e a todas que vamos, por meio do diálogo, buscar a solução que possa ser possível e ao mesmo tempo com responsabilidade poderemos votar e decidir para fazer com que o estado possa retornar a normalidade administrativa e ao mesmo tempo fazer com que as salas de aula não fiquem mais vazias.
O fato é que temos condições de avançar e espero que não pela intolerância, não pela valentia na tribuna, mas pela conversa franca, honesta, a favor do interesse público. Porque o interesse público do servidor é público e de todos que desejam a melhoria. Agradeço a todos que ouviram pacientemente o que eu tinha a dizer e eu os convido ao diálogo para que possamos encontrar uma solução a partir desta proposta.”