Sr. Presidente, falo pelo horário do meu Partido, que é o Partido Socialista Brasileiro, que tive o horário cedido pelo nosso Líder, Deputado Tiago Amaral.
E uso a tribuna que costumeiramente é utilizada pela Oposição, até para ficar claro para todas as Deputadas e Deputados que não falo em nome do Governo, falo em meu nome próprio para poder, Presidente, de forma respeitosa, dar a minha opinião sobre o que está acontecendo em nosso País e demonstrar a minha preocupação com a situação política brasileira.
Todos sabemos que o País vive um clima apaixonado em relação ao momento que estamos vivendo, Deputado Marcio Nunes. Por que vivemos este momento de paixão política?
Por conta da disputa das últimas eleições de 2014. Temos que reconhecer que em 2014 uma ampla parcela da população, especialmente da classe média, apoiou muito fortemente a candidatura do PSDB, o Senador Aécio Neves, e muitos, especialmente a grande mídia, que apoiou a candidatura de Aécio Neves, ficou absolutamente insatisfeita com o resultado da eleição.
Isso, nós todos sabemos, gerou desde a eleição e nos momentos subsequentes, em função da crise econômica que o País iniciou, no final já de 2014, por conta, é claro, de um cenário internacional.
Só não vê o que está acontecendo no mundo quem não quer. O Deputado Ricardo Arruda ainda recentemente esteve na China, lá na China ficou sabendo de que a China diminuiu 40% da importação de produtos, sejam eles as commodities agrícolas ou o minério de ferro, no caso, do que é comprado do nosso País, só para dar um exemplo de um importador de produtos brasileiros.
O País, é claro, passa por uma crise econômica que todos nós sabemos e isso faz parte de um processo. Agora, confesso que não vim à tribuna fazer análise da crise econômica, vim falar da crise política, porque na semana passada – no dia até fiquei tão chocado com a cena e achei que era só eu que tinha ficado chocado com o que vi do meu Partido, que integrei durante 35 anos, o PMDB.
Quero deixar muito claro, nesta tribuna, o PMDB do Paraná é muito diferente do PMDB nacional.
O PMDB nacional virou um Arenão fisiológico que envergonha a nacionalidade brasileira, que faz com que todos os fundadores do Partido não reconheçam no PMDB que tem em Brasília, hoje, o PMDB que nós todos no final da década de 70, início dos anos 80, iniciamos a construção neste País, um País que era dirigido por Ulysses Guimarães.
E digo isso, porque temos que diferenciar, não estou falando do PMDB do Paraná, que é muito diferente do PMDB nacional, mas o PMDB nacional é uma vergonha.
Quando vi outro dia reunião do Diretório Nacional, ao invés de ter três dias de discussão, de debate, de discussão, de aprofundamento da conjuntura, não! Em três minutos, Romero Jucá, Eduardo Cunha, Eliseu Padilha e tantos outros, os famosos que estão na lista dos 300 da Odebrecht reuniram-se, deram-se as mãos e gritaram: “- Fora PT!”.
Digo isso porque a mim parece que este País está vivendo um momento agora, e a Folha de São Paulo, ontem, traz um artigo do jornalista Jânio de Freitas, talvez dos mais importantes articulistas deste País, onde ele transcreve a fala do Procurador da República, que é o porta-voz dos Procuradores da Operação Lava Jato, onde ele diz cabal e textualmente – e fica evidente – que a Operação Lava Jato, que era para investigar desvio de recursos, lavagem de dinheiro, desvio dos recursos da Petrobras, transformou-se em uma operação para investigar o PT.
Ele diz isso, é o Procurador que diz isso, não sou eu que estou dizendo. Carlos – não me lembro do nome do Procurador agora, mas quem quiser ler, leia – diz textualmente que passou a ser a Operação Lava Jato para investigar o PT.
Queria, na verdade, dizer o seguinte: o País está vivendo essa crise. Entendo que a Folha de São Paulo, ontem, também traz uma proposta que – olhe onde é que estamos indo parar – um dos principais veículos de comunicação pede: “Renuncia, Dilma, renuncia Temer”, e fala assim: bom, daí quem é da linha sucessória é Eduardo Cunha, mas o Eduardo Cunha ficaria só 90 dias, para convocar uma nova eleição no País.
Olha o momento que essa nacionalidade brasileira está passando!
Porque não se respeita mais nada. E o Presidente Michel Temer, do meu Partido, que sempre o tive na mais alta conta, pelo respeito, por ser um constitucionalista, não acredito que ele esteja tendo hoje a postura de Vice-Presidente da Presidenta Dilma Rousseff, transformou-se em um articulador da conspiração. Hoje, não se vê mais os próceres do PSDB ou do DEM articulando a conspiração, se vê quem? O PMDB. Vê-se o Vice-Presidente da República articulando.
E a cada dia, Deputado Marcio Nunes, sempre tenho elogiado aqui da tribuna o trabalho do Juiz Sérgio Moro, todo mundo admira o Juiz Sérgio Moro, mas também tem algumas coisas que não dá para entender.
Sexta-feira mesmo, meu Deus do céu, 27.ª operação fase da Operação Lava Jato.
O que é que eles fizeram? Foram ressuscitar o cadáver do Celso Daniel, um evento que aconteceu há 14 anos. Qual é a pertinência do assassinato do Prefeito Celso Daniel com a Operação Lava Jato?
Daqui alguns dias vão dizer que o Lula esteve envolvido na morte do Tancredo Neves; daqui alguns dias vão dizer também que foi o Lula que causou o desfazimento, que desestruturou a Banda dos Beatles.
Porque, pelo amor de Deus, não é possível o País passar por uma situação igual a essa.
Então, Presidente, Srs. Deputados e Sras. Deputadas, ontem, falei que as coisas no Brasil acontecem não é por coincidência. Mas vou ler muito rapidamente, se me permitirem, os 11 princípios do Ministro da Propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels, os 11 princípios que levaram o povo alemão em um determinado momento da história, através do nazismo, Deputado Elio Rusch, tentar exterminar a humanidade.
Olhem os princípios. Isso aqui não é coincidência. Vejam se isso aqui não está sendo aplicado no Brasil de hoje:
1.º) princípio da simplificação e do inimigo único: simplifique, não diversifique, escolha um inimigo por vez. Ignore o que os outros fazem, concentre-se em um até acabar com ele.
2.º) Princípio do contágio: divulgue a capacidade de contágio que esse inimigo tem. Colocar um antes perfeito e mostrar como o presente e o futuro serão contaminados por esse inimigo.
3.º) Princípio da transposição: transladar todos os males sociais a esse inimigo.
4.º) Princípio da exageração e desfiguração: exagerar as más notícias até desfigurá-las, transformando um delito em mil delitos, criando assim um clima de profunda insegurança e temor: “o que nos acontecerá?”.
5.º) Princípio da vulgarização: transforma tudo em uma coisa torpe e de má índole. As ações do inimigo são vulgares, ordinárias.” (É retirado o som.)
PRESIDENTE (Deputado Ademar Traiano – PSDB): Deputado Romanelli, V.Ex.a conclui ou fala no horário da Liderança do Governo?
DEPUTADO LUIZ CLAUDIO ROMANELLI (PSB): Eu poderia usar dois minutos do horário da Liderança do Governo?
PRESIDENTE (Deputado Ademar Traiano – PSDB): Pode. Pois não.
DEPUTADO LUIZ CLAUDIO ROMANELLI (PSB):
6.º) Princípio da orquestração: fazer ressonar os boatos até se transformarem em notícias, sendo essas replicadas pela imprensa oficial.
7.º) Princípio da renovação: sempre há que bombardear com novas notícias sobre o inimigo escolhido, para que o receptor não tenha tempo de pensar, pois está sufocado por elas.
8.º) Princípio do verossímil: discutir a informação com diversas interpretações especialistas, mas todas em contra do inimigo escolhido. O objetivo desse debate é que o receptor não perceba que o assunto interpretado não é verdadeiro.
9.º) Princípio do silêncio: ocultar toda informação que não seja conveniente.
10) Princípio da transferência: potencializar um fato presente com um fato passado. Sempre que se noticia um fato, se acresce com um fato que tenha acontecido antes.” Está aí bem claramente o fato do Celso Daniel.
11) Princípio da unanimidade: busca convergência em assuntos de interesse geral, apoderando-se de sentimentos produzidos por esse e colocá- los em contra do inimigo escolhido.” Bem, qualquer semelhança com as práticas atuais não é mera coincidência.
O Goebbels é o pai da propaganda moderna, e fez com o nazismo a tentativa de exterminar não só os judeus, mas a humanidade. O fato concreto é esse. Digo isso porque não vou levar para a minha história, sob nenhuma hipótese, e para que ninguém tenha dúvida que sou completamente contrário ao processo de impeachment.
Entendo que impeachment é um golpe, e nós brasileiros que acreditamos na democracia como método, temos que levantar a nossa voz. Apoiar a Operação Lava Jato para punir, prender e recuperar o dinheiro que os corruptos roubaram, mas o processo político no Brasil não pode ser violado.
Foto: Pedro Oliveira/ Alep